segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Today!


Hoje, hoje não poderia ter acontecido, fui inversa. Comecei o dia pedindo a Deus que controlasse meus demônios baseados nos segredos do proibido, inversamente opostos a valores sagrados inconsistentes, porém vivos em alguma parte do meu eu.  Vagava dentro de mim uma sensação que nascia das minhas mãos, que por sinal, tremiam muito, e entravam em minhas veias, uma verdadeira emoção desritmada pela química. Quando olhei no espelho era tarde, meus olhos ardiam e a pupila já estava grande o bastante, suficiente para deduzir uma resposta de quebra, de rock. Ainda era possível ver os últimos raios do Sol, e sentir aquele vento do fim de tarde, lá em cima, bem no alto onde eu estava. Meus olhos apoderavam-se de campo acampto, aos poucos, desvaindo-se de um poder inexato que permanecerá, sempre, um mistério para meu ser impaciente, um auditor-leitor, meus engramas estavam descoordenados de espírito, uma inquietude desprovida de descanso, engramas de compaixão, talvez. Heterogênio era a palavra, pois não conseguia naquele momento sentir uma única emoção por vez, eram todas ao mesmo tempo, imaginário, imaginário, imaginário de repetições, sem qualquer coordenação motora, eu pulei lá do alto, tão alto, acabrunhador, caí em uma mente que passava ali, a primeira para ser exata, uma vítima inocente de experiências egoístas, maquiavélicas, não poupava nem a mim dos olhos vermelhos e risos maldosos, uma brincadeira com sérias intenções de risco. Hoje, não precisaria de nexo algum para viver e morrer, jogar todas as tintas de dentro do meu corpo em um espaço em branco, o frio. Apesar de movimentos firmados na guitarra irreverente, a música e minha fala soavam como um acalanto, e o relógio, lá estava ele, parado, ás vezes ousava andar um minuto a frente, outras voltava uma hora para trás, sem contar os dias, sem saber das horas, vivendo sem tempo, sobrando nele. O vento, conseguia, mais do que eu, equilibrar-me dentro e fora de mim, e seu assovio me encorajava ao medo, um show a parte, de cores, formas, e solidão. Não mando no que sou, ou em quem sou, apenas refletia um estado sem vontade, sem muita coisa, e ele, aquele falante com as mesmas frases pensadas, cautelosamente planejadas, tirava da minha vontade a espontaniedade, dando inicio a minha máscara, mas ao contrário do falante, nunca esqueci quem sou, único conselho, respeite aquela morte que vivo todas as manhãs, e caio na excitante existência da noite, minha lógica. Viver dias nas noites, e encontrar a noite no dia, um inverso proposital, minha vida, minha química, uma experiência longe da matemática, dentro das artes de cores que só eu, e aquela pessoa, exclusivamente, e possessivamente minha, sem delongas, sem porquês, distante de motivos, apenas lançada ao pertencer e possuir, compreendemos nossa diferença. Sorria, é agora que meu descontrole começa, verdadeiramente, chegar, quero senti-lo, carne, desejo, amor, corpo, alógico.

5 comentários:

  1. Introspectivo, intimista. Muito bom!

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  2. "Comecei o dia pedindo a Deus que controlasse meus demônios baseados nos segredos do proibido, inversamente opostos a valores sagrados inconsistentes, porém vivos em alguma parte do meu eu." - desafio!

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  3. Até que valeu a pena espera tanto tempo \õ/ perfeito a postagem! ameiiii *-*

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  4. nossa muito bom mesmo,profundo.Gostei:D

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